14/02/2020

A dinâmica da conquista: iniciativa, encontros e redes

A análise de práticas culturais como a conquista revela certas características típicas que caracterizam um período específico de nossa sociedade. Nesse sentido, quando falamos de amor e relações sociais, também refletimos sobre desejo, fidelidade, solidão, papéis sociais estabelecidos e até sobre tecnologia. Há uma nostalgia de outras épocas em que a tecnologia não era parte dos vínculos amorosos como acontece hoje. Então, vale perguntar: em que aspectos e quão diferentes são nossos relacionamentos hoje em comparação com o tempo de nossos pais?

Nesta nota, enfocaremos em um dos eixos fundamentais que estruturam e dão início a um possível vínculo amoroso entre duas pessoas, como a dinâmica da conquista entre os/as argentinos/as. Para fazer isso, incluímos uma série de perguntas na edição de janeiro da Opibus, nossa pesquisa online mensal representativa em nível nacional sobre diferentes temas de opinião pública. Isso nos permitiu analisar três questões intimamente ligadas: quem toma a iniciativa no momento da sedução, a divisão da conta em um primeiro encontro e o uso de aplicativos de encontro como o Tinder, Badoo ou Happn.

Principais indicadores: iniciativa, gastos e aplicativos de encontros/namoro

Vamos começar com o primeiro passo da conquista, a iniciativa. O que fazemos quando gostamos de uma pessoa? Embora em face da dicotomia entre "conquistar" ou "ser conquistado" a maioria opte por ser o protagonista, as respostas variam muito, dependendo do sexo e da idade da pessoa pesquisada. Por exemplo, quase 3 em cada 4 homens dizem que, no momento da sedução, tomam a iniciativa, enquanto cerca de dois terços das mulheres preferem que a iniciativa seja tomada pela outra pessoa. Em termos geracionais, também existem diferenças: somente entre os millennials as preferências são distribuídas igualmente. Já em uma idade mais avançada, parece haver maior decisão e destaque para a conquista.

Homens e mulheres que tomam a iniciativa de acordo com a idade:

Entretanto, ao analisar as respostas entre homens e mulheres de acordo com as diferentes seções geracionais, observa-se que fundamentalmente a iniciativa ainda possui uma forte marca masculina. Em outras palavras, as mulheres, independentemente da idade, preferem que a outra pessoa dê o primeiro passo e avance (Gráfico 2).

Em todo primeiro encontro, chega o momento, muitas vezes desconfortável, de ter que pagar a conta e perguntar: dividimos ou pago tudo? Segundo nossos dados, a tendência majoritária é pagar ou deixar que paguem por você, apenas 38% dos entrevistados dizem que dividem as despesas igualmente em um encontro. Novamente, se apresentam diferenças importantes de acordo com os diferentes segmentos sociodemográficos. Os homens declaram pagar principalmente no primeiro encontro, enquanto 57% das mulheres preferem dividir as despesas. Além disso, dividir a conta é mais comum em pessoas mais jovens, mais ainda em mulheres millennials, das quais 66% declaram dividir as despesas igualmente no primeiro encontro. Outra diferenciação importante, como indica o Gráfico 3, é encontrada em função do poder aquisitivo. Nos setores com maior nível socioeconômico, apenas um quarto dos pesquisados afirmou compartilhar despesas, valor que equivale a 45% nos setores populares (D1 e D2).

Um dado interessante que liga os dois indicadores vistos até agora. Tomar a iniciativa em um relacionamento está fortemente ligado a convidar e pagar pela primeira saída, principalmente no caso de homens. Então quem dá o primeiro passo também é quem paga.

Finalmente, também perguntamos às pessoas se alguma vez saíram com alguém que conheceram em uma rede de encontros. O que se observa é que conhecer pessoas por meio de um aplicativo de namoro é um fenômeno moderado, que cobre 20% da população, algo mais presente em homens e jovens. No entanto, enquanto os millennials se destacam pelo uso intensivo da tecnologia, as gerações mais velhas também adotam certas práticas da cultura digital. Como pode ser visto nos dados, 13% dos baby boomers saíram com alguém que conheceram em uma rede social de namoro, em comparação com 24% dos millennials.

O fenômeno que ainda se apresenta como marginal é o número de casais efetivamente formados por Tinder, Badoo ou Happn, apenas 6% da nossa amostra. Esses dados estão em sintonia com as principais conclusões da segunda pesquisa do Observatório de Consumo Jovem, realizada pela Universidade de Palermo e Opinaia em 2018. Fica claro que muitos jovens continuam preferindo o "cara a cara" para conhecer pessoas e que a sedução pessoalmente é estratégia mais eficaz.

Divisão de gastos no primeiro encontro, de acordo com o nível socioeconômico:

Concluindo, o que sabemos sobre a dinâmica da conquista na Argentina de hoje? Primeiro, tomar a iniciativa em um relacionamento ainda tem uma forte marca masculina, os homens são os que se mostram mais ativos. Segundo, a divisão dos gastos na primeira saída é uma prática mais comum entre as mulheres, a geração millennial e os setores de baixa renda. Finalmente, os aplicativos de namoro ainda têm um impacto modesto na facilitação e formação de vínculos e relacionamentos.

Em termos pessoais, encontramos dois resultados que nos surpreenderam nesta edição do OpiBus. Primeiro, ficamos surpresos que a iniciativa continue sendo tomada predominantemente por homens, da mesma maneira que havia sido feita em outros tempos. No entanto, também foi observado que, em uma idade mais baixa, o nível de iniciativa adotado no momento da conquista é menor, e essa tendência - embora em menor grau – é inclusive observada nos homens. Enquanto o primeiro nos fala sobre como certas coisas parecem ser mantidas ao longo do tempo, o último marcaria uma mudança de postura. O que mais te surpreendeu no nosso estudo?

Libia Billordo

Libia Billordo

Gerente de Marketing de Opinaia

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Guido Moscoso

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Gerente de Opinião Pública de Opinaia

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